Aquele atrás do armário…

Que Mário

Mário César saiu de Brasília em 2005 para vir a São Paulo para fazer um curso de quadrinhos e concretizar seus sonhos na área. O artista de 27 anos nem se lembra de quando começou essa paixão, mas tem certeza de que quer viver dela. O menino expansivo e fã de quadrinhos e seriados – cuidado para não mencionar nenhum spoiler perto dele – está lançando nesse mês o primeiro número de sua revista independente EntreQuadros (para adquirir entre no site do moço). O Mário – que Mário? – conversou comigo sobre projetos futuros, inspiração e o mainstream nos quadrinhos. No final você confere uma galeria com algumas de suas tirinhas. E o filho pródigo voltará a Brasília para lançar a obra no dia 6 de agosto no T-Bone Açougue Cultural.

Você lembra da primeira coisa que desenhou?

A primeira exatamente eu não me lembro, mas rabisco muito desde pirralho. Gostava de inventar coisas, passava horas desenhando novos modelos de tênis, carros e outras bugingangas. Depois tive uma fase de inventar joguinho de luta. Criava os personagens, a trama, os golpes e tudo mais. Lembro até de uma espécie de livrinho ilustrado com uma aventura de uma turminha numa gincana da escola.

O que você costuma ler de quadrinhos?

Eu leio de tudo um pouco. De super-heróis, mangás e Turma da Mônica a graphic novels, revistas independentes e tirinhas de humor. Meus autores prediletos são Will Eisner, Osamu Tesuka, Alan Moore, e muitos outros. Minhas leituras recentes que eu recomendo são Retalhos (Craig Thompson), O Chinês Americano (Gene Yung), Sábados dos meus amores (Marcelo Quintanilha), Nova York, a vida na grande cidade (Will Eisner), Macanudos (Liniers) e Chibata! (Hemetério e Olindo Gadelha).

Quando você começou a desenhar profissionalmente?

Meu primeiro trabalho de ilustração foi para o Plenarinho, site infantil da Câmara dos Deputados, em 2004, ainda na época da faculdade, a convite de um amigo de classe que já começava a montar seu próprio escritório na época. Desde então, não parei mais.

Nessa primeira edição de EntreQuadros, uma das histórias é inspirada em uma música – A Mais Bonita, de Chico Buarque – e outra em um conto. Como é o seu processo de criação?

A inspiração vem dos lugares mais variados. Pode ser uma situação que vivi, alguma notícia que li, uma música que escutei, um conto que deu vontade de adaptar, enfim, não tem uma única fonte específica. Tendo a ideia básica, que às vezes demora bastante tempo pra ser maturada,  escrevo o roteiro e faço uma decupagem inicial rabiscando uma miniatura de cada página que parece um hieróglifo que só eu entendo.

As histórias desse número são bem mais poéticas. Já pensou em desenhar algo mais mainstream como histórias de super-heróis?

Creio que todo desenhista na sua infância e adolescência já sonhou desenhar pra Marvel, DC ou Turma da Mônica. Eu não sou exceção. Eu leio coisas do mainstream, mas só quando tem autores que eu gosto. Leio o Capitão América e Demolidor mais pela qualidade do trabalho que vem sendo feito do que pelos personagens em si, por exemplo. Adoro Homem-Aranha e X-men, mas tirando a fase do [Joss] Whedon e do [ [John] Cassaday, alguns arcos do [Grant] Morrison nos Novos X-men e o arco do Wolwerine do [Mark] Millar e John Romita Jr. Não vi mais nada que prestasse com esses personagens. Hoje em dia acho que minha linha de trabalho não é muito a praia do mainstream, mas não descartaria a possibilidade se pudesse desenvolver um trabalho de qualidade e com certa liberdade artística.

Quais são seus projetos futuros?

Por hora eu estou divulgando a EntreQuadros e estou em um projeto com o Estevão Ribeiro chamado Pequenos Heróis. É uma espécie de homenagem a alguns personagens clássicos com histórias de crianças comuns que passam por situações heróicas. No primeiro volume será um tributo aos personagens da DC Comics. A história que eu desenhei homenageia o Super-Homem. O Vitor Caffagi fez uma sobre o Flash, o Raphael Salimena sobre o Lanterna Verde, o Ricardo Leite e a Dandi sobre o Caçador de Marte, a Fernanda Chiella sobre a Mulher Maravilha, o Jaum sobre o Aquaman, o Emerson Lopes sobre o Batman e o Leonardo Finocchi sobre a Canário Negro. Além de desenhar, eu também estou co-editando o álbum que tem previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. Além disso estou trabalhando no roteiro de uma história mais extensa que vou inscrever no edital de publicação de quadrinhos da prefeitura de São Paulo. Mesmo que não seja selecionada lá eu publicarei a história de alguma outra forma, seja em capítulos nas próximas EntreQuadros ou em forma de livro por alguma editora. Também continuo publicando minhas tirinhas semanalmente no portal TopBlog.

Galeria

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