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Resenha no seu quadrinho: Scott Pilgrim Contra o Mundo (o filme)

É difícil entender porque a Universal/Paramount adiou tantas a estréia do longa Scott Pilgrim Contra o Mundo – agora os fãs terão que esperar até o dia 5 de novembro, dessa vez por causa da falta de salas, ocupadas pela 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Minto. Depois de assisti-lo é até fácil de entender. O longa-metragem dirigido Edgar Wright e baseado na série em quadrinhos – em seis volumes – do canadense Bryan Lee O’Malley não foi feito para qualquer pessoa. Ele não é aquele filme de fácil compreensão. Não que ele seja cult, não que seja denso ou excessivamente metafórico, mas definitivamente possui momentos herméticos que só serão compreendidos completamente por quem leu a série original, nerds, semi-nerds e afins, o que torna o longa menos atrativo para comercialização para as massas. Continuar lendo

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Resenha no seu quadrinho: Kick-Ass: Quebrando Tudo

 

Dave Lizewski é um nerd. Dave é um nerd nada descolado, sem uma vida sexual ativa – tirando suas constantes punhetas -, sem um vínculo forte com seu pai – sua mãe morreu de um aneurisma inesperado -, sem grandes planos para o futuro e sem grandes ações no seu currículo. Dave é um perdedor. Um perdedor comum que você encontra diariamente.

Mas se parássemos por aqui, a banalidade da vida de Dave não daria uma história em quadrinhos, quanto mais um filme de ação hollywoodiano. Mas Dave resolve sair de sua inércia de perdedor e se tornar um super-herói como aqueles que ele lê nas suas HQs. Ele compra uma roupa de mergulho verde com máscara e se arma com dois porretes e sai às ruas procurando seus próprios vilões. Só que Dave tem apenas 16 anos e combater o crime não se mostra uma tarefa muito fácil: ele aprende que seu maior poder é levar boas surras. Continuar lendo

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Resenha: O Invencível Homem de Ferro #1

Esse mês foi de primeiras vezes: comecei a ler Lanterna Verde, aguardando ansiosamente o longa com nosso querido Ryanlicious, e hoje comprei a primeira edição da revista O Invencível Homem de Ferro, lançada pela Panini para pegar um pouco do momentum criado pelo segundo filme do herói. Nunca na minha vidinha de nerd de quadrinhos, me interessei muito pelas revistas do personagem. Continuar lendo

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Resenha: Scott Pilgrim contra o mundo

Finalmente chegou ao Brasil a primeira edição de Scott Pilgrim – na verdade um volume contendo as duas primeiras edições -, popular história em quadrinhos que já ganhou versão cinematográfica.

Lançada pela Quadrinhos na Cia. – linha de HQs da Companhia das Letras -, a obra conta a história do Scott do título, um jovem meio bobo e sem rumo, mas que se acha o máximo. Ele conhece uma menina misteriosa e descolada chamada Ramona e para continuar o namoro, precisará enfrentar os 7 ex-namorados do mal da moça. Isso mesmo! ENFRENTAR! Continuar lendo

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Resenha no seu quadrinho: Bordados

A obra “Bordados” é uma conversa íntima. Conversa íntima entre mulheres iranianas contadas com o humor simples mais ácido da quadrinista Marjane Satrapi.

Terceira obra da autora, foi lançada este ano pela Companhia das Letras e traz mais uma vez histórias de mulheres da família de Marjane, que, reunidas tomando chá, começam a contar suas desventuras com os homens, o amor e sua cultura opressiva ao sexo feminino.

O “bordar”, portanto, equivale ao nosso “tricotar”, ou fofocar e também traz um significado importante para as mulheres iranianas, como a cirurgia de reconstituição de hímen, feitas por aquelas que não são mais virgens e não querem ser humilhadas na noite de núpcias.

O livro é engraçado, mas às vezes peca pelo excesso de texto, que talvez poderia ser poupado com um pouco mais da arte da quadrinista – mesmo com seu traço simples. Tem um grande apelo para as mulheres e leitores pouco acostumados com quadrinhos – acho que a Marjane é bem acessível. O assunto sobre as restrições feitas às mulheres pelo islamismo sempre acabam tocando qualquer pessoa.

Bom, mas sem nada extraordinário. Ainda gostei mais de “Frango com ameixas”.

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Resenha no seu quadrinho: Frango com ameixas

Até quem não é fã de quadrinhos conhece o nome Marjane Satrapi, por terem lido sua fantástica autobiografia em quadrinhos “Persépolis”, ou por terem assistido sua versão animada, que chegou a concorrer ao Oscar em 2008.

“Frango com ameixas” foi a segunda obra de Marjane a ser lançada aqui no Brasil e conta a história do músico Nasser Ali, tio-avô da autora, que um dia, por não encontrar um tar (um instrumento musical de cordas) perfeito, decide morrer.

Ela se desenvolve mostrando o que se passa pela cabeça do homem nos oitos dias que precedem sua morte – calma gente, isso não é spoiler! Sua morte acontece logo no começo. O interessante é descobrir sua relação com sua família, seus desejos e o motivo por trás da sua decisão, o que Marjane relata com traços simples, um humor lúgubre e sincero, que é uma marca sua.

Outro fator interessante das obras da artista iraniana são as curiosidades sobre a cultura do seu país e sua história. As obras de Marjane têm um grande foco em suas lembranças familiares, o que torna tudo muito acolhedor e identificável – por isso tantas pessoas acabam tendo contato com seu trabalho.

O fim é mais triste e desolador do que o começo da graphic novel – e olha que o enterro do protagonista acontece logo nas primeiras páginas – e deixa o leitor refletindo muito sobre amor, obrigações e tradições e as coisas que os olhos deixam de perceber.

Recomendo a obra e  óculos escuros para os mais sensíveis que terminam a história em um lugar público e precisam esconder uma lágrima furtiva.

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Quarto volume de Fábulas é publicado no Brasil

Quando li os primeiros volumes reunindo as primeiras edições da série Fábulas, da Vertigo,  publicados pela Devir e depois pela Pixel fiquei mais impressionado com a abordagem dada aos conhecidos contos de fada do que propriamente a trama escrita por Bill Willingham – isso e as estonteantes capas de cada revista.

Depois de um hiato, a série continua no Brasil, em janeiro, com a publicação do quarto volume pela Panini. Para os que desconhecem a série esse é um bom ponto de partida, já que a nova editora faz uma boa recapitulação no começo da revista – além de ter lançado um hotsite explicando o que o leitor perdeu.

Resuminho básico: no universo de Willingham as Fábulas viviam felizes em seu mundo encantado até serem atacadas por um inimigo desconhecido, chamado a partir daí de Adversário. Encurraladas, tiveram que fugir para o mundo real e passaram a viver em sua própria cidade no meio de Nova York. O resto é melhor ler nas revistas, até porque é mais divertido conhecer as mudanças feitas à personagens como o Lobo Mau, o Príncipe Encantado e a Cinderela – que depois acabou ganhando minissérie própria.

O volume traz a saga “A Marcha dos Soldados de Madeira”, em que uma personagem do mundo das Fábulas antes dada como morta retorna trazendo consigo a perigosa constatação de que o Adversário pode ter se infiltrado no mundo real.

Mais uma vez, o que vale não é nem tanto a trama – às vezes previsível – mas o roteiro de Willinghan – afiado, sarcástico – e a construção da personalidade dos personagens – todos são muito consistentes. A arte de Mark Buckinghan também é um ponto forte e a forma como diagrama os quadrinhos em uma página é um prazer à parte.

Posso dizer que depois dessa edição virei fã da série. O único ponto fraco da edição é seu preço salgado – você tem R$ 33 dando mole na carteira? –, mas ainda prefiro que a Panini continue publicando a série em volumes.

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